À sua frente, a neve virgem, árvores tremendo à brisa gelada, um céu incrivelmente azul. Você está envolto em roupas quentes, com esquis nos pés e bastões presos às luvas. 

Não fosse o agito ruidoso de Quebec, bem ao lado, você poderia achar que está deslizando em uma floresta congelada. Quebec é uma anomalia norte-americana. O continente, pelo menos ao norte do México, não tem muitas cidades antigas.

A capital da província francófona do Canadá é a exceção; ela foi fundada em 1608 e tem uma bela mistura de paredes feitas de pedra e becos de paralelepípedos. É quase como se você estivesse em Carcassonne bebendo café au lait em um terraço com um château logo acima.

Sim, é igual à França – exceto pelo esqui cross-country no meio da cidade… Por isso ela é peculiarmente canadense. Enquanto a maioria das pessoas esconde-se no bar aquecido mais próximo, os québécoises abraçam o inverno.

E o melhor lugar para fazer isso é no Parque Plaines d’Abraham. Em 1759, foi ali que o exército do general Wolfe derrotou o do general francês Montcalm, reivindicando a região para a Grã-Bretanha; hoje esse é o principal parque da cidade, um pulmão urbano de prados, bosques e, no inverno, trilhas de esqui cross-country.

Felizmente, esse é um esporte fácil. O maior problema é concentrar-se na técnica quando há tanta coisa para ver: de um lado, o rio St. Lawrence coberto de gelo; do outro, o emblemático Château Frontenac. Ao esquiar, você vai quase gritar de alegria por praticar um esporte rural em uma cidade de quinhentos mil habitantes.

Para melhorar, quando você termina, os prazeres da cidade estão à sua espera: os hotéis-butique, os restaurantes franceses e as lanchonetes que vendem poutine – sim, é calórico, mas você merece!