Imagine a cena: você está sentado à sombra do toldo do convés, na popa elevada 8 do gulet. A corrente da âncora repuxa a embarcação gentilmente, e ondas preguiçosas batem na lateral. 

Um vento morno traz o perfume das agulhas de pinheiros dos bosques imaculados, na orla de areia da praia oposta, e os outros únicos ruídos presentes são o canto distante das cigarras e os tinidos ocasionais vindos da cozinha, onde o almoço está sendo preparado.

Outro gulet está ancorado a cerca de 100m, mas, fora isso, não há sinal de civilização. Você passou a manhã lendo e saltando da lateral do barco para mergulhar e, agora, sobre uma toalha branca e engomada que acaba de ser estendida, um almoço suntuoso vai sendo servido: saladas de tomates maduros; pratos com feijões e quiabos regados com azeite; apetitosos salgados; burghul e kebabs; cerejas, melões, pêssegos e kiwis.

Durante uma hora ou mais, você vai se esbaldar e, em seguida, provavelmente vai cair no sono enquanto o capitão levanta âncora e parte tranquilamente pela costa, em direção à próxima parada.

Ou talvez você se recline e aprecie o cenário intocado que passa devagar diante de seus olhos: montanhas íngremes de calcário que despencam diretamente nas águas azuis e profundas, um ou outro promontório, uma baía abrigada ou um perfeito porto natural.

A distância, é capaz que você aviste uma faixa de areia lotada de turistas – mas eles não afetarão seu mundo. Eles estão presos em terra firme, enquanto você é livre para navegar até um local mais tranquilo.

Quando o calor do dia diminuir um pouco, é possível que você pare num dos ancoradouros menos movimentados e explore algumas ruínas locais – os resquícios da ocupação romana ou da poderosa civilização da Lícia, que costumava dominar essas paragens.

Esse é o cotidiano a bordo de um gulet turco. Muito relaxante, mas sem jamais entendiar – a maneira ideal de combinar turismo com férias livres de estresse.