“Deus trouxe o diabo na bagagem.”
É o que diz Pablo, guia turístico da Viña Santa Cruz, enquanto anda pelas videiras agarradas às colinas. Ele está se referindo a um velho ditado chileno, usado para descrever como o vinho chegou naquelas bandas.

É que a bebida foi levada pelos missionários – que queriam converter os habitantes locais – para ser usada durante a missa. No entanto, os nativos mostraram tanta paixão por ela quanto pela religião, e é por isso que hoje o povo chileno está cercado por muitos hectares de videiras, com os imensos Andes no horizonte.

Esse é o Vale de Colchagua, uma das principais áreas produtoras de vinho do Chile, de Santiago. A área é famosa pelo cabernet sauvignon, o que explica os cachos de uvas vermelho-rubi pendurados nas fileiras de videiras.

Há quem vá para Colchagua só para tomar vinho, principalmente os chilenos – a área não é muito visitada por turistas internacionais. Mas há outros motivos para ir até lá. Por exemplo, quantos vinhedos você conhece que têm tanto um DeLorean como uma lhama? Essa é a Vifia Santa Cruz, com 180ha de vinhas, além do carro e do animal mencionados.

O carro – réplica da máquina do tempo da saga De volta para o futuro – fica em exibição e é tão popular entre as crianças quanto o vinho entre os pais. A lhama fica no alto de uma colina.

Quando o passeio pela vinícola acaba, Pablo aponta para lá. “Vimos o coração do nosso vinho”, diz ele. “Agora vamos ver sua alma!” No topo há três pavilhões, cada qual dedicado a uma cultura antiga do Chile: os mapuches, os aimarás e os habitantes da Ilha de Páscoa. É uma bela homenagem aos antigos donos das terras – aqueles que estavam ali antes de o diabo chegar na bagagem de Deus.