Em um primeiro momento, a sensação é de desorientação – por que você está balançando como um bebê no berço? Ah, é claro, você está num trem. A lembrança surge em meio à primeira neblina do despertar: você abre os olhos e vê as paredes da cabine. 

Não chega aos pés da grandiosidade do Expresso do Oriente, mas mesmo assim é aconchegante. Na noite anterior, você fechou a persiana para bloquear a visão dos subúrbios e suas ruas congestionadas. Ao abri-la novamente, leva um susto.

Tem um loch (lago) – um loch! – brilhando ao sol das primeiras horas da manhã. Os blocos de escritórios desapareceram, sendo substituídos por colinas cobertas de urze. Hipnotizado pelo que vê do lado de fora, você quase ignora a batida na porta – o comissário trazendo o chá da manhã.

Mas, de volta à janela: você observa o trem fazer uma curva acentuada através de um vale, atravessar um pântano e passar por uma placa que diz “Pico de Corrour: 411m acima do nível do mar’, o ponto mais alto da ferrovia.

Os lagos Treig, Iblloch e Monessie Gorge passam pela janela. Então, às 9h54, você finalmente chega à estação de Fort William – autointitulada “Capital do Ar Livre do Reino Unido”.Ah, o mundo ao ar livre… Inspire os ares das Terras Altas, porque, embora os trilhos que levaram você até esse ponto sejam parte da emoção, é ali que a viagem começa de verdade.

Você está no coração da Caledônia antiga, um cenário que – apesar de uma ou outra loja de quinquilharias -, sem muito esforço, consegue evocar romance só com um sopro de ar puro.

As opções a partir de Fort William são inúmeras: Ben Nevis impõe-se sobre a cidade, acenando para os Munro-baggers (alpinistas que chegam ao topo de montanhas com mais de 915m de altura); a fissura do Great Glen estende-se para o norte; o comovente e maravilhoso Glen Coe (“Vale do Choro”) fica bem ao sul.

Mas você vai ignorar tudo isso para retornar ao trem, seguir até o mar e depois navegar até um castelo humilde e uma comunidade tão unida que comprou sua própria ilha…